- Um copo de água, por favor.
- Por favor senhor, saia.
- Um copo de água, por favor. Só isso.
- Por favor homem, perturba-me os clientes..
- Mas só lhe estou a pedir um copo de água...
- O que quer sei eu. Digira-se a porta e não incomode as pessoas.
- Mas já está um tempo que não se pode. Não quero incomodar ninguém, só lhe peço um copo de água.
- Oh homem não me chateie mais a cabeça! A clientela já está toda a olhar. Não vê que os está a importunar?! Vá, saia depressa que, ao contrario de si, eu tenho trabalho a fazer.
O pobre homem saiu do café sem folgo. As lágrimas rasavam lhe os olhos e caiam uma por uma enquanto, numa marcha muito lenta e pesada, limpava o suor da testa, abanava a camisola branca de algodão e dava mais uma dobra nas calças de ganga gasta. Os seus pés coziam nos sapatos, que no Inverno serviam de consolo e facilitavam o andar, mas que sobre aquela escaldante tarde de verão o faziam desesperar.
Dentro do café uma menina, sentada ao pé da mãe, após assistir a cena fita intensamente a partida do sem abrigo, lixo desgraçado como a mãe o chamara, através da límpida montra.
- Onde vais Raquel?
- Vou ali ver rebuçados e já venho.
Chega-se ao balcão e com um ar sereno vira-se para o empregado:
- Quero um copo de água fresquinha, bem cheio, para matar a sede, por favor.
O homem sorri a Raquel e passa-lhe o copo juntamente com um chupa-chupa.
A menina pega no copo e esquecendo-se do chupa-chupa saí a correr do café em direcção a criatura abandonada por Deus. Aproxima-se e diz:
- Não chores! É para ti. Bebe!
O homem espantado pega no copo e de um golo sorve toda a agradecida bebida.
- Obrigado pequena, mas é melhor voltares. O dono do café e a tua mãe não vão gostar muito do que fizeste.
-Não faz mal. Toda a gente tem direito a um copo de água.
7 de novembro de 2010
5 de novembro de 2010
I just wished you were here,
To help off this dump
To help me to be a better myself
To just not being alone
To keep my head in place
To just being there
To clean the tears off my face
In days I’m sad and scared
And I’ll be there for you
This I promise
I’ll love you how much as possible
I’ll never be dishonest
I’ll make you smile every day
Even if just for a little bit
I’ll be your earth and your heaven
If you just let me be it
Because you just make everything feel right
And with you by my side
I never feel alone, I’m never by my own
You light my day, you warm my soul
You became everything I don’t control
1 de novembro de 2010
Deixo as portas entreabertas.
Acendo o cigarro,
e deixo-o a fumegar no cinzeiro.
As janelas estão abertas
o meu cabelo voa a volta da minha cara,
Não vejo quase nada,
não desejo ver.
Desejaria adormecer
com um ou mais corpos junto a mim,
mas a janela esta aberta
e os corpos por elas fogem sem rumo,
sem fim...
O silencio sentencia o cenário
colmatando o oculto revolto na pessoa.
Não feches a porta entre aberta,
a ar parado fere, magoa.
- Entra e traz a faca,
pousa-a na mesa,
vá, vai-te embora,
não é necessária testemunha de presença.
O anjo vai e bate a porta
que em ricochete se volta a abrir
a faca penetra na veia como se a quisesse possuir
como se de fogo e paixão passasse a ser.
Adeus mundo incrédulo de anjos
e de criaturas superiores, bruxas como eu...
Adeus putrefactos homens amores
Adeus.. só adeus...
Acendo o cigarro,
e deixo-o a fumegar no cinzeiro.
As janelas estão abertas
o meu cabelo voa a volta da minha cara,
Não vejo quase nada,
não desejo ver.
Desejaria adormecer
com um ou mais corpos junto a mim,
mas a janela esta aberta
e os corpos por elas fogem sem rumo,
sem fim...
O silencio sentencia o cenário
colmatando o oculto revolto na pessoa.
Não feches a porta entre aberta,
a ar parado fere, magoa.
- Entra e traz a faca,
pousa-a na mesa,
vá, vai-te embora,
não é necessária testemunha de presença.
O anjo vai e bate a porta
que em ricochete se volta a abrir
a faca penetra na veia como se a quisesse possuir
como se de fogo e paixão passasse a ser.
Adeus mundo incrédulo de anjos
e de criaturas superiores, bruxas como eu...
Adeus putrefactos homens amores
Adeus.. só adeus...
25 de outubro de 2010
A linha de recta final da sanidade é ténue e eu não quero. A realidade é a irrealidade do impossível. Não, não quero trespassa-la. Deixem-me adormecer, deixem-me ceder à vã loucura dos sonhos, nivelados por teias e estádios de doença esquizofrénica cardíaca. Quero flutuar naquela meia verdade que é a morte, de modo a sentir no corpo a crueldade dos feitos. Quero viajar no tempo e ser tomada por bruxa, santificada pelo fogo, extinta pela purificação da alma de quem é errante. Por vezes o simples seria grato de o ser, por vezes um mapa não seria demasiado simples. Por vezes o destino podia ceder a vontade e os conselhos dançar a volta da peste negra de mim. Que doença de cheiro, que mal, que pecado, que coisa doutro mundo. Feitiço ou um raio do céu. Simples impasse e monotonia do irreal. Não quero morrer antes de saber o que quero, não quero morrer antes de ter o que preciso. Não quero continuar a tropeçar nos pés.
7 de outubro de 2010
E tudo está como deve estar. As nuvens subiram ao céu e encontrei o meu casaco. Aperto-o botão a botão devagar saboreando o bom de me acomodar no meu casaco, ponho a boina, calço as luvas e saio á rua. A chuva cai e eu não quero saber, e enquanto o meu cabelo vai humedecendo tiro as luvas e meto as mãos nos bolsos, nos bolsos do meu casaco. Por piada ponho os óculos de sol, e vou assim, nas ruas da cidade sorrindo as pessoas que ora retribuindo ora fazendo caras de indignação ao verem a minha personagem, dão os passos seguintes seguras que sou louca ou que simplesmente perdi o juízo. E eu feliz, de luvas a espreitar da carteira a tiracolo, mãos nos bolsos do meu casaco abotoado, boina e óculos de sol, desço a rua como se estive num mundo só meu, indiferente ás pessoas a quem alegremente sorrio. O mundo está chuvoso e zangado, a chuva molha e atrapalha quem na rua passa, por isso, deixem as pessoas estar. Já eu vejo o mundo pelos meus óculos como se tratasse de um filme antigo em sépia, em que chuva cai e eu vou de encontro com qualquer alguém que me espera numa ponte além caminho. O mundo é chuvoso e jubilante e eu miragino mundos e encontros dentro do mundo de mim. É tudo belo, tudo a sépia, é tudo meu.
Sou eu, no meu mundo sépia, de luvas a espreitar da carteira que levo ao ombro, de mãos nos bolsos do meu casaco abotoado, de boina e óculos de sol, feliz e sorrindo ao mundo que sai a rua para me ver passar.
5 de outubro de 2010
3 de outubro de 2010
A alegria é tanta que não te consegues conter.
Escreveste tudo como devias, deixando todos os endereços necessários e existentes. Melhor era impossível.
Metes a carta no marco do correio inspirando fundo, e após um momento de reflexão e uma sensação de missão comprida voltas a correr para casa.
Comes, lavas os dentes, lavas a loiça, sentas-te no sofá, ligas a televisão, depois de uma meia hora de zapping desligas, levantaste e vais para o computador, depois brincas com o gato, comes, lavas os dentes, lavas a loiça, sais, voltas, deitas-te e dormes.
Levantas-te, lavas os dentes, tomas banho, veste-te e sais. Voltas. À entrada, verificas o correio: nada, muito bem, ainda só passou um dia... Entras, verificas o email: nada, só passou um dia, okey. Repetes a rotina, jantas e deitas te.
Acordas, verificas o email: nada, ainda é cedo, tudo bem, mas..., não, ainda é cedo...Vais trabalhar, à saída verificas o correio: nada, muito bem. Vais e sais. Todo um dia de trabalho em ansiedade. Voltas, verificas o correio: nada, porra! Verificas o email, um email novo: será agora? Respiras fundo: jantar de empresa, nada de importante. Jantas mal e deitas-te.
Passa uma semana, duas. Os nós dos teus dedos estalam, a tua cabeça anda em circulos. Qualquer mensagem escrita, email, carta, telefonema fazem o teu coração disparar a mil.
1 mês, chegas a casa, verificas o correio, uma carta para ti, nem respiras, abres, é apenas do dentista, atiras a carta para o correio, não queres saber, não comes, deitas-te automaticamente no sofá em transe em frente a uma televisão desligada até adormeceres.
No emprego já não te concentras, os teus amigos não conseguem falar contigo, a tua namorada diz que estás diferente. Todos sabem o que se passa, todos sabem o que é, mas nenhum percebe, nenhum se atreve a trespassar essa barreira de quase loucura em que tu te encontras.
Já lá vão 2 meses.
Acordas, levantaste e não verificas o email, não vais trabalhar, não comes, tocam a campainha, é a tua vizinha de cima, já lhe vais fechar a porta na cara quando vês que ela tem uma carta na mão. Boa.. reunião de condomínio.
- Querido, deixaram-me isto á umas semanas no meu correio. Eu estive na casa da minha filha, só hoje voltei e vi. É para si jovem.
Tiras o papel da mão a senhora e agradeces. Ela vira costas mas nem te das ao trabalho de fechar a porta. É a carta. A carta. É tudo o que esperavas. Abres, sem ler, e encostaste à parede. Já nem queres saber o que diz.
Finalmente paz de espírito.
Escreveste tudo como devias, deixando todos os endereços necessários e existentes. Melhor era impossível.
Metes a carta no marco do correio inspirando fundo, e após um momento de reflexão e uma sensação de missão comprida voltas a correr para casa.
Comes, lavas os dentes, lavas a loiça, sentas-te no sofá, ligas a televisão, depois de uma meia hora de zapping desligas, levantaste e vais para o computador, depois brincas com o gato, comes, lavas os dentes, lavas a loiça, sais, voltas, deitas-te e dormes.
Levantas-te, lavas os dentes, tomas banho, veste-te e sais. Voltas. À entrada, verificas o correio: nada, muito bem, ainda só passou um dia... Entras, verificas o email: nada, só passou um dia, okey. Repetes a rotina, jantas e deitas te.
Acordas, verificas o email: nada, ainda é cedo, tudo bem, mas..., não, ainda é cedo...Vais trabalhar, à saída verificas o correio: nada, muito bem. Vais e sais. Todo um dia de trabalho em ansiedade. Voltas, verificas o correio: nada, porra! Verificas o email, um email novo: será agora? Respiras fundo: jantar de empresa, nada de importante. Jantas mal e deitas-te.
Passa uma semana, duas. Os nós dos teus dedos estalam, a tua cabeça anda em circulos. Qualquer mensagem escrita, email, carta, telefonema fazem o teu coração disparar a mil.
1 mês, chegas a casa, verificas o correio, uma carta para ti, nem respiras, abres, é apenas do dentista, atiras a carta para o correio, não queres saber, não comes, deitas-te automaticamente no sofá em transe em frente a uma televisão desligada até adormeceres.
No emprego já não te concentras, os teus amigos não conseguem falar contigo, a tua namorada diz que estás diferente. Todos sabem o que se passa, todos sabem o que é, mas nenhum percebe, nenhum se atreve a trespassar essa barreira de quase loucura em que tu te encontras.
Já lá vão 2 meses.
Acordas, levantaste e não verificas o email, não vais trabalhar, não comes, tocam a campainha, é a tua vizinha de cima, já lhe vais fechar a porta na cara quando vês que ela tem uma carta na mão. Boa.. reunião de condomínio.
- Querido, deixaram-me isto á umas semanas no meu correio. Eu estive na casa da minha filha, só hoje voltei e vi. É para si jovem.
Tiras o papel da mão a senhora e agradeces. Ela vira costas mas nem te das ao trabalho de fechar a porta. É a carta. A carta. É tudo o que esperavas. Abres, sem ler, e encostaste à parede. Já nem queres saber o que diz.
Finalmente paz de espírito.
29 de setembro de 2010
Onde estás?
Responde-me!
Quando voltas?
Não te cales!
Já não nos falamos e a saudade aperta.
Fala, abraça-me!
O perfeito de tudo escorregando pelos dedos.
Não deixes tudo isto desaparecer...
Compreende-me como antes.
Que frustrada e presa na pele que te anseia, não o podendo fazer, sei que te não irei alcançar.
Onde estás?
Preciso de ti.
Tu precisas de mim.
Tenho um pedaço teu só meu, que precisa-me.
Onde estás?
Quero-te.
Não me queres?
Eu sei que queres.
Anda, vem, volta.
Preciso de ti, abraça-me e fica de vez.
Responde-me!
Quando voltas?
Não te cales!
Já não nos falamos e a saudade aperta.
Fala, abraça-me!
O perfeito de tudo escorregando pelos dedos.
Não deixes tudo isto desaparecer...
Compreende-me como antes.
Que frustrada e presa na pele que te anseia, não o podendo fazer, sei que te não irei alcançar.
Onde estás?
Preciso de ti.
Tu precisas de mim.
Tenho um pedaço teu só meu, que precisa-me.
Onde estás?
Quero-te.
Não me queres?
Eu sei que queres.
Anda, vem, volta.
Preciso de ti, abraça-me e fica de vez.
27 de setembro de 2010
Não dá! Não dá! Não dá! A minha casa não são estas paredes e tu não me és nada! Não peço desculpa! Não modero a voz! Não tenho tento nas palavras! Não vês que não pará de gritar? Que não ouves? Que para me fazer ouvir tenho de gritar também? Pára de gritar! Ou melhor pára de falar. Cala-te! Não vês que há mais de uma hora que me insultas? E eu é que tenho de me controlar? Chega! Não dá. Não quero voltar a casa, quando em casa apenas me espera a vontade de sair. Larga-me, deixa-me ir.. Chega!! Já não disse que chega??! Será que te incomoda assim tanto o meu bem-estar que te sentes na obrigação de o destruir assim que passo a porta? Será que obtens algum prazer sádico e fazer-me mal? Em tornar o ar irrespirável, tóxico, repugnante.Não sou uma pessoa triste, apenas não faz-me mal ter-te por perto. Desaparece por favor... imploro-te.. Vai-te!! Sai do quarto, distrai-te com o que seja mas esquece-te de mim. Eu só quero sair e ir para casa, qualquer lado para longe de ti.
26 de setembro de 2010
I'm coming up only to hold you under
I'm coming up only to show you wrong
And to know you is hard and we wonder
To know you all wrong, we were
Really too late to call, so we wait for
Morning to wake you; it's all we got
To know me as hardly golden
Is to know me all wrong, they were
At every occasion I'll be ready for a funeral
At every occasion once more is called a funeral
Every occasion I'm ready for the funeral
At every occasion one brilliant day funeral
I'm coming up only to show you down for
I'm coming up only to show you wrong
To the outside, the dead leaves, they all blow (alive is very poetic)
For'e (before) they died had trees to hang their hope
At every occasion I'll be ready for the funeral
At every occasion once more is called the funeral
At every occasion I'm ready for the funeral
At every occasion one brilliant day funeral
http://www.youtube.com/watch?v=cMFWFhTFohk&ob=av2e
I'm coming up only to show you wrong
And to know you is hard and we wonder
To know you all wrong, we were
Really too late to call, so we wait for
Morning to wake you; it's all we got
To know me as hardly golden
Is to know me all wrong, they were
At every occasion I'll be ready for a funeral
At every occasion once more is called a funeral
Every occasion I'm ready for the funeral
At every occasion one brilliant day funeral
I'm coming up only to show you down for
I'm coming up only to show you wrong
To the outside, the dead leaves, they all blow (alive is very poetic)
For'e (before) they died had trees to hang their hope
At every occasion I'll be ready for the funeral
At every occasion once more is called the funeral
At every occasion I'm ready for the funeral
At every occasion one brilliant day funeral
http://www.youtube.com/watch?v=cMFWFhTFohk&ob=av2e
23 de setembro de 2010
Tão bom o amor!
Tu! Alguém... Tão bom!
As mãos entrelaçadas entre muitos mimos e cumplicidades vindas do nada, ou de tudo. O toque, o olhar, os olhos do teu alguém nos teus, falando te em mil e uma línguas, dizendo te e citando te, devotando te, mil e uma coisas. Promessas de boca fechada, que ninguém cobra, ninguém lembra, ninguém falha. A força de um corpo, outro corpo, que se sente e torna quase extensão do teu corpo! Uma boca quente e acolhedora envolvendo a tua, devoradora e devota. Um abraço apertado que não te quer largar, que deseja no seu corpo o teu corpo permanentemente pressionado, com força, e com carinho. Alguém teu, e tu desse alguém, e os vossos alguém tendo-se em comunhão de algo tão simples e certo como o sentimento que partilham. Algo que pode ser facilmente explicado por alguém que domine minimamente as palavras, mas tão raro de ser explicado por alguém, a ti, sem palavras.
Tão bom isto!
Tão bom a sensação de não querer saber do amanhã nem do relógio, nem da carteira, nem de se te chove em cima. Tão bom só isto, aqui e agora.
Tão bom ter-te, Alguém.
Tu! Alguém... Tão bom!
As mãos entrelaçadas entre muitos mimos e cumplicidades vindas do nada, ou de tudo. O toque, o olhar, os olhos do teu alguém nos teus, falando te em mil e uma línguas, dizendo te e citando te, devotando te, mil e uma coisas. Promessas de boca fechada, que ninguém cobra, ninguém lembra, ninguém falha. A força de um corpo, outro corpo, que se sente e torna quase extensão do teu corpo! Uma boca quente e acolhedora envolvendo a tua, devoradora e devota. Um abraço apertado que não te quer largar, que deseja no seu corpo o teu corpo permanentemente pressionado, com força, e com carinho. Alguém teu, e tu desse alguém, e os vossos alguém tendo-se em comunhão de algo tão simples e certo como o sentimento que partilham. Algo que pode ser facilmente explicado por alguém que domine minimamente as palavras, mas tão raro de ser explicado por alguém, a ti, sem palavras.
Tão bom isto!
Tão bom a sensação de não querer saber do amanhã nem do relógio, nem da carteira, nem de se te chove em cima. Tão bom só isto, aqui e agora.
Tão bom ter-te, Alguém.
22 de setembro de 2010
21 de setembro de 2010
A libertação do nada numa exalação profunda no fim da morte, seguida pela extrema e bruta inalação da Vida.
Viver Liberto a viver morto. Viver jovem eternamente. Tão tenras as idades presentes, tão voláteis as consciências, tão pesados os corações! Pena que se tenha de viver uma e outra vida de prisão para se viver Liberto por fim. Por vezes mil vidas não chegam, as almas vagueiam aprisionadas. Só alguns atingem este estado.
Liberto. Ser-se velho e sábio em novo e vigorante corpo, ser-se fiel a consciência de nós , dar asas a pena que é o coração. Sem culpa, sem raiva, sem ressentimento. Numa compaixão natural e preocupação controlada pela sensatez do conhecimento. Num senso de proteger, de fazer e ver crescer. Numa resignação revoltada e sensata. Num equilíbrio mestral. Numa acreditação humana para além do sobrenatural, em esperança de mais e mais, sempre mais. Ciente de capacidades e influências, gestor e manipulador de felicidades. Nesta vida que não é Vida mas sim prisão, existem os Libertos. Almas antigas. Seres superiores a nível humano, a nível intelectual e a nível físico, magnetizantes. Fascinantes. E vivem quase em sociedade. Encontram outros seus iguais pelo percurso e criam ligações transcendentais, como se fosse por força a necessidade de se encontrarem e se manterem por perto.
Todos os Libertos se encontram adormecidos até uma certa idade. Uns desde sempre que têm uma superior intuição para o sublime de si próprios, outros apesar de especiais mantêm-se adormecidos, mas certeza é que todos os Libertos despertam a certa altura da Vida. Ao ser encontrado por um Liberto, o aspirante adormecido torna-se seu aprendiz e é estimulado por conversas e experiências que lhe transmitindo conhecimento ou não lhe vão acordando a parte adormecida em si. Toda uma ligação eterna fica entre o mestre Liberto e o seu aprendiz, da qual o aprendiz se liberta a certo ponto mas o mestre se mantém dependente. Para certos mestres é difícil, muito perdem-se após o seu primeiro aprendiz, outros mantém-se fortes e vão doseando as relações que mantêm com os próximos para que a sensação de perda e dependência seja mais branda. E assim cresce outro Liberto que não parará de evoluir até a Morte do Corpo.
A função dos Libertos mais evoluídos é precisamente identificar esses aspirantes e acorda-los. Se um Liberto se engana e toma uma normal pessoa, ou seja, uma alma jovem, por seu aprendiz, a informação transmitida pode levar a pessoa à insanidade ou a depressão, pois a alma não está preparada e perde-se em si mesma.
Mas não são apenas as almas jovens que se perdem aquando o confronto de ideias, também os Libertos correm esse risco. Alguns enlouquecem pois não doseiam correctamente o fluxo de consciência, outros deixam-se levar pelo corpo e corrompem-se. Fazem-se Deuses aos olhos das almas jovens. Abusam do seu magnetismo. Um Liberto não pode evitar uma certa altivez pela consciência do que é, do que atingiu e do que representa mas nunca se deve exibir cru a almas jovens, que pela ignorância o podem adoptar por algo maior, realmente Divino, arriscando o erudito do Liberto. A acreditação do Divino leva ao desejo, e por mais que as almas jovens desejem um Liberto, só outro Liberto tem a capacidade de partilhar, também pelo desejo, a quase perfeição de outro ser Liberto. Os Libertos pertencem uns aos outros. As almas jovens que ocorrerem pelo caminho do Liberto não passam de danos colaterais da emoção e carnalidade, pois um Liberto só verdadeiramente se entrega a outro seu igual. É dispensável por isso as relações com jovens almas que por obrigação não passaram de distracções. Não se deve fazer uso delas, é abuso. Corrompe o sublime.
Além que nenhuma dessas almas sairia intacta. A influência, mesmo a carnal, de um Liberto obriga-as a uma evolução forçada que só atrasa o percurso das suas almas. É uma forma de protecção, não de elitismo.
Ser Liberto é uma responsabilidade, é uma função. Há que sempre haver a consciência do dever pois é um privilégio ser-se Liberto.
Viver Liberto a viver morto. Viver jovem eternamente. Tão tenras as idades presentes, tão voláteis as consciências, tão pesados os corações! Pena que se tenha de viver uma e outra vida de prisão para se viver Liberto por fim. Por vezes mil vidas não chegam, as almas vagueiam aprisionadas. Só alguns atingem este estado.
Liberto. Ser-se velho e sábio em novo e vigorante corpo, ser-se fiel a consciência de nós , dar asas a pena que é o coração. Sem culpa, sem raiva, sem ressentimento. Numa compaixão natural e preocupação controlada pela sensatez do conhecimento. Num senso de proteger, de fazer e ver crescer. Numa resignação revoltada e sensata. Num equilíbrio mestral. Numa acreditação humana para além do sobrenatural, em esperança de mais e mais, sempre mais. Ciente de capacidades e influências, gestor e manipulador de felicidades. Nesta vida que não é Vida mas sim prisão, existem os Libertos. Almas antigas. Seres superiores a nível humano, a nível intelectual e a nível físico, magnetizantes. Fascinantes. E vivem quase em sociedade. Encontram outros seus iguais pelo percurso e criam ligações transcendentais, como se fosse por força a necessidade de se encontrarem e se manterem por perto.
Todos os Libertos se encontram adormecidos até uma certa idade. Uns desde sempre que têm uma superior intuição para o sublime de si próprios, outros apesar de especiais mantêm-se adormecidos, mas certeza é que todos os Libertos despertam a certa altura da Vida. Ao ser encontrado por um Liberto, o aspirante adormecido torna-se seu aprendiz e é estimulado por conversas e experiências que lhe transmitindo conhecimento ou não lhe vão acordando a parte adormecida em si. Toda uma ligação eterna fica entre o mestre Liberto e o seu aprendiz, da qual o aprendiz se liberta a certo ponto mas o mestre se mantém dependente. Para certos mestres é difícil, muito perdem-se após o seu primeiro aprendiz, outros mantém-se fortes e vão doseando as relações que mantêm com os próximos para que a sensação de perda e dependência seja mais branda. E assim cresce outro Liberto que não parará de evoluir até a Morte do Corpo.
A função dos Libertos mais evoluídos é precisamente identificar esses aspirantes e acorda-los. Se um Liberto se engana e toma uma normal pessoa, ou seja, uma alma jovem, por seu aprendiz, a informação transmitida pode levar a pessoa à insanidade ou a depressão, pois a alma não está preparada e perde-se em si mesma.
Mas não são apenas as almas jovens que se perdem aquando o confronto de ideias, também os Libertos correm esse risco. Alguns enlouquecem pois não doseiam correctamente o fluxo de consciência, outros deixam-se levar pelo corpo e corrompem-se. Fazem-se Deuses aos olhos das almas jovens. Abusam do seu magnetismo. Um Liberto não pode evitar uma certa altivez pela consciência do que é, do que atingiu e do que representa mas nunca se deve exibir cru a almas jovens, que pela ignorância o podem adoptar por algo maior, realmente Divino, arriscando o erudito do Liberto. A acreditação do Divino leva ao desejo, e por mais que as almas jovens desejem um Liberto, só outro Liberto tem a capacidade de partilhar, também pelo desejo, a quase perfeição de outro ser Liberto. Os Libertos pertencem uns aos outros. As almas jovens que ocorrerem pelo caminho do Liberto não passam de danos colaterais da emoção e carnalidade, pois um Liberto só verdadeiramente se entrega a outro seu igual. É dispensável por isso as relações com jovens almas que por obrigação não passaram de distracções. Não se deve fazer uso delas, é abuso. Corrompe o sublime.
Além que nenhuma dessas almas sairia intacta. A influência, mesmo a carnal, de um Liberto obriga-as a uma evolução forçada que só atrasa o percurso das suas almas. É uma forma de protecção, não de elitismo.
Ser Liberto é uma responsabilidade, é uma função. Há que sempre haver a consciência do dever pois é um privilégio ser-se Liberto.
20 de setembro de 2010
Eu volto para ti! Eu volto e envolvo-te em abraços, carinho e compreensão! E perdoo-te tudo se isso te fizer feliz. E devoto-te a minha atenção e ternura. Dedico-te a minha mais segura e possível sinceridade. Envolvo-me no teu corpo como se fosse meu corpo, afago-te os cabelos e observo-te enquanto dormes. Beijo-te o rosto e as palmas dos pés. Dou-te as mãos e dou-te razão de viver. Passeio lado a lado contigo por esta bela cidade de recantos. Sorrio e faço-me a tua menina. Desejo-te e sou tua mulher. Acolho-te em mim com saudade de forma terna e maternal. Trato-te e defendo-te como o meu mais precioso bem. Sou o que quiseres e fizeres de mim.
Só não te amo, e no meio de toda esta farsa morro de desprezo e nojo dissimulado por ti e sobretudo por mim. Afasto-me dos que amo, acrescentando á raiva presente o ódio. Toco-te e penso nele. Não sou tua, nunca, de forma nenhuma na verdade. E se sou por acaso deve-se apenas a restos de carinho, pena e comiseração.
Esta é a oferta. Preço justo?
Stop á rodagem do filme! Despeçam os argumentistas, dêem descanso as câmaras e luzes! Enviem o realizador para um asilo! Com urgência!
Pára tudo! Agora! Cancelem as contas de financiamento, desliguem as câmaras, apaguem todos os futuros takes, rasguem as falas, destruam a banda sonora!
Cansei de ser a personagem principal desta trágica comédia rasca de segunda ou terceira. Despeçam os actores, despeçam-me a mim. Eu demitiria me se soubesse como fazê-lo! Poupem-se a trabalhos comigo! Apenas cancelem tudo e indiquem-me com quem devo falar. Eu própria acabo com toda esta fantochada virtual auto-destrutiva! Tirem férias! Desapareçam! É um favor que me fazem… e as poucas pessoas reais libertem-se de tal situação “holywoodesca “ … salvem-se enquanto possuem activamente da vossa sanidade. Corram, saltem, sejam felizes! Usem todo este cenário e material para a vossa própria comédia romântica. Apenas parem o drama da minha pessoa. Não me obriguem a dar um final a este filme, muito menos um final feliz!
Mandem tudo e todos para casa.
O espectáculo acabou.
18 de setembro de 2010
Clarividência do infortúnio,
para onde levais a minha alma falsos deuses?
Não me tocais as palmas das mãos pois já não as sinto reais.
Não me questionais sobre vós,
nada tenho a dizer sobre o tempo passado das magoas rivais.
Confrontem se sobre a humanidade, façam dela o que desejarem,
apenas deixem me descansar em solidão tão benevolente,
no fundo deste rio tão macios aos meus pés e pulmões.
para onde levais a minha alma falsos deuses?
Não me tocais as palmas das mãos pois já não as sinto reais.
Não me questionais sobre vós,
nada tenho a dizer sobre o tempo passado das magoas rivais.
Confrontem se sobre a humanidade, façam dela o que desejarem,
apenas deixem me descansar em solidão tão benevolente,
no fundo deste rio tão macios aos meus pés e pulmões.
Seems like it wasn´t this time,
Feels like I still have to wait,
And I wonder in my head,
If you ever gonna stay
I always walk on my own,
But would be nice to hold a hand
So we could walk on this path together
Without sorrow or care
I’ve tried to look you in the eyes,
But you keep on looking away
I’m sick of having to wait
I want it now, on this day!
You are not strong enough to fight
Seems like I’m just too much for you
One day you going to wake up
And realize all I said about us was true
So true
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