21 de junho de 2010

Agora que penso.. assim só por pensar. Assim só por não ter mais nada para fazer.. Assim só porque vou disparatar e não fazer sentido algum, há coisas do carago!
Coisas mesmo estúpidas, mesmo fora do bom senso... mas também quem quer bom senso??
As pessoas passam a vida à procura da felicidade mas estão constantemente a fugir dela! Pensam que é algo complicado de atingir e criam falsas e inalcansáveis noções que tentam seguir a risca e que só os leva a uma infelicidade ainda mais ridícula e infeliz que a tristeza ou a arte de não se ser feliz em si. Talvez, ou melhor, com todas as minhas certezas é por isto, estas acções desesperadas e inúteis, que praticamente ninguém vive completa e realmente feliz neste mundo. E depois uma singela alegria não lhes basta! Eles e elas necessitam daquela noção perfeita e idealizada por tristes almas anteriores à existência dos presentes e actuais infelizes, aquela noção fantasiosa de um estado de espírito calmo, relaxado, de bem com tudo e todos, sem problemas ou contradições. Pois noticia de última hora companheiros terrestres: tal coisa não existe! Capacitem-se! E deixem se tentar seguir esses padrões e regras desse Universo mesquinho e fútil, típico de uma personagem do género Marta Stewart, não vos leva a lado nenhum.
A felicidade não é algo físico. Um prémio espiritual após um certo caminho. É o que temos e conseguimos ver em nós e em todos os que nos rodeiam. É dar valor a cada segundo de vida que vos corre no sangue, vivendo não de uma forma certa e coerente, mas sim ao máximo. Nunca sabemos o que nos espera o amanhã portanto porque desperdiçar o hoje? Estamos habituados a comodidades de todos os níveis tendo o amanhã como garantido como desculpa, não como deve de ser.
Problemas? Toda a gente os tem, maior parte apenas pensando que os tem, e criando-os para se entreter, fazendo planos e interpretando um papel vitimado porque fica sempre bem e serve de desculpa termos pena de nós próprios para não querermos saber dos outros, mas os problemas não são assim tão graves, nem tão grandes e maior parte nem vale a pena dar atenção. São pura perda de tempo. Entretenimento de mau gosto a que sucumbimos como se uma ordem nos fosse dada. Que raio de liberdade! Somos Homens ou Ratos???
Deixa-mo-nos mesmo derrubar tão facilmente? Refugiando nos em "problemas", pensando a vida em  vez de a viver, seguindo padrões e regulamentos como ratos de laboratório, criando rotinas insatisfatórias, tudo na esperança de um presente digamos divino, caído do nada?
Recusamos-nos a prazeres naturais, preocupamos-nos demais, damos atenção ao que não devemos...
Penso porque ninguém mais vê assim o Mundo... Sair a rua, respirar fundo, olhar o céu, observar os prédios, os edifícios, as pessoas, ouvir os sons, chegar perto de quem gostamos e sorrir. Mesmo que a nossa vida esteja uma merda, sorrir. Ouvir os seus problemas e tentar ajudar. Não interferir! Ajudar, aconselhar. As pessoas têm a extrema e irritante mania de se meter na vida dos outros, é isso, escutar conversas, tentar sacar informações e falar por cima de outros para que a conversa se vire para elas próprias... Odeio isso. Eu cá não me importo de ouvir. Falar faz bem aos outros e eu gosto de os ouvir. Memorizar as suas vozes, reparar nos teus sotaques, como dizem isto e aquilo, as expressões de rosto, toda a beleza da pessoa que está a falar comigo. Há pessoas tão bonitas por aí. Não estou a falar de fisicamente atraentes, perfeitas ou perto da noção de perfeição. Bonitas. Nos seus sorrisos, franzir da sobrancelhas, como mexem no cabelo ou enrugam a testa em reacção ao que seja. Estar numa sala de aula e ouvir o barulho de fundo, a voz do Professor/a, as posições e os comportamentos dos colegas à volta... até o simples acto de fechar os olhos e aproveitar estar a aprender. Estar no exterior, e observar todo um mundo a nossa volta e a sorte que temos por estarmos ali, naquele momento, com aquelas pessoas, o quanto gostamos delas. Porquê estar noutro lugar qualquer? Eu penso assim. Sou feliz assim. E sim procuro sempre mais...  mas não de forma obcecada e  diária, não perdendo tempo a criar discussões ou problemas, não correndo de um lado para o outro sem reparar. A vida é algo tão fugaz... porquê correr e acordar um dia, ás portas da morte e pensar: -Que fui eu fazer?
Eu não vou viver uma vida perfeita, mas sei e vou fazer os possíveis para que não seja uma vida de arrependimentos... Podem dizer o mesmo?
(Tal como esperava, mesmo tendo razão e lógica, não fiz sentido algum... Mas quem quer fazer sentido? eu não)
- Ainda és a mesma pessoa que eras o Verão passado?
- opáh não sei...
  não me lembro de quem era...
  mas duvido...
Porque não posso simplesmente agir como devo?
Porque tenho de me manter fiel a mim?
Cansada de ser quem sou sem ter certeza disso, de não saber por que lado ir, vendo morte sem chorar, sufocando sem gritar, morta consecutivas vezes sem dar luta ou protesto.
Esfaqueando com agulhas quem me estende a mão, fazendo-os andar sobre pregos.
És uma merda Catarina, devias estar num Laboratório de Loucos.