31 de outubro de 2009

Tenho asas e ando entre ti e os outros.
Há quem me chame anjo,
mas nada tenho de bom.
Há quem me trate por demónio,
mas não sou assim Tao ma.

Eu não tenho qualquer tipo de poderes,
mágicos ou divinos,
apenas vejo.

Quem olha para os meus olhos escuros
nem sonha que lhe leio a alma.

Quem se cruza comigo na rua,
nem imagina o que lhe espera.

Não sou anjo nem demónio,
Sou o perigo do inevitável,
os ponteiros dos relógios,
os espelhos e pontes da vida.

Sou tu depois de mim
Olhas me e não me reconheces?
Porque será?
Eu digo te.
Antes conhecias a vitima, a escrava de ti e de todos os que me esmagavam no preconceito dos dias por os outros e não por mim.
Pois agora olha me, e não me reconheças, não me conheças, não tentes, aliás,
Odeia me!
Inveja me!
Tem raiva de mim, pois eu deixei de ter um triste espírito enjaulado, eu libertei me!
Eu agora sou por mim e por o que quero mesmo que isso me deixe na merda.
Eu agora vejo sem as palas que tu e os teus pudicos e conservadores conhecidos me punham.
Eu agora vejo.
Por isso tem nojo de mim, chama me puta se quiseres.
Pois não vou ser eu que no meu ultimo suspiro me sufocarei com arrependimentos.