E eu cansei de te ouvir. Não peças para perdoar. Não há perdão possível. Não peças para esquecer as memórias que não tenho. São anos e anos de ausências, silêncios, aniversários em que me vestias uma personagem que não era eu. Exigências e expectativas demasiado altas para alguém que não eu. Todo um disfarce de anos em que crescia sob a sombra de uma bipolaridade forçada. Não peças para te mostrar a realidade se continuas de olhos fechados. Não vale a pena. Chega! Basta! Cansei de todos esses papéis vitimados em forma de justificar pura ignorância e negligência. Cansei de esperar por um aniversário em que tivesses lá, comigo, e não com outro alguém senão eu. Fecha a porta e cala a boca, gastaram se todas as palavras. Não me és nada. Fica nesse canto a espera de morrer que eu fico neste com sede de te matar.
1 de junho de 2010
Ode a amada mãe de mim
Grito ecoa pelas paredes... mas tu não vens. Continuas sentada nessa cadeira. Calada. Desprezível. Mesquinha. Exemplo perfeito de desistência na evolução primata.
Odeio ter rasgado o ventre que me trouxe ao mundo só por ser o teu ventre. Não quero que sejas parte de mim, já que não sou parte alguma em ti. Não te quero conhecer embora te saiba de cor. E mesmo querendo impeço me de te abandonar. Odeio amar te. Odeio amar uma criatura intelectualmente inferior e mentalmente débil como tu. Velha carcaça que nunca conheceste amor, pois és incapacitada de sentir. O que entendes por amor é a tua drogada dependência. Dependência dele que é o teu tudo. Dependência de mim que acidentalmente vim ao mundo e de quem te serviste como muleta, muleta de ti, do teu vazio e da sua ausência. Dentro destas paredes, prisão de loucuras, escapa me a sanidade a cada dia que partilho contigo. A tua loucura é contagiosa, pegajosa, mas sei que não acabarei como tu. Há perto da tua cadeira a uma porta e eu passarei um dia. De vez, essa porta. Acredita que se olhar para trás é por compaixão do meu amor forçado pela natureza daquilo a que se chama filha, palavra cujo significado nunca assimilaste. Mas não te desejo mal, na verdade não te desejo nada.
Desejo nos distancia, para que possa abrir as asas e desprisionar me da tua louca dependência. Da minha crédula e ingénua compaixão. Da esperança que um dia assimiles a natureza.
Subscrever:
Mensagens (Atom)