1 de junho de 2010

Ode a amada mãe de mim




Grito ecoa pelas paredes... mas tu não vens. Continuas sentada nessa cadeira. Calada. Desprezível. Mesquinha. Exemplo perfeito de desistência na evolução primata.
Odeio ter rasgado o ventre que me trouxe ao mundo só por ser o  teu ventre. Não quero que sejas parte de mim, já que não sou parte alguma em ti. Não te quero conhecer embora te saiba de cor. E mesmo querendo impeço me de te abandonar. Odeio amar te. Odeio amar uma criatura intelectualmente inferior e mentalmente débil como tu. Velha carcaça que nunca conheceste amor, pois és incapacitada de sentir. O que entendes por amor é a tua drogada dependência. Dependência dele que é o teu tudo. Dependência de mim que acidentalmente vim ao mundo e de quem te serviste como muleta, muleta de ti, do teu vazio e da sua ausência. Dentro destas paredes, prisão de loucuras, escapa me a sanidade a cada dia que partilho contigo. A tua loucura é contagiosa, pegajosa, mas sei que não acabarei como tu. Há perto da tua cadeira a uma porta e eu passarei um dia. De vez, essa porta. Acredita que se olhar para trás é por compaixão do meu amor forçado pela natureza daquilo a que se chama filha, palavra cujo significado nunca assimilaste. Mas não te desejo mal, na verdade não te desejo nada.
Desejo nos distancia, para que possa abrir as asas e desprisionar me da tua louca dependência. Da minha crédula e ingénua compaixão. Da esperança que um dia assimiles a natureza.

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