4 de outubro de 2009

Toda a minha vida foi passada no canto.
No canto da tua vida, no canto da tua atenção, no canto de tudo, de ti e de todos.
Eternamente á parte, eternamente nos bastidores.
Quando vencia, não era eu debaixo da luz.
Quando os outros erravam, eram para mim as culpas.
Toda a minha vida observei passivamente as gloriosas vidas de quem comigo se dava e que de mim dependiam.
Toda a minha vida construi o reino de falsos Reis e fui tomada por pecadora por causa dos pecados de outros.
Toda a minha vida vi, comi e calei... porque por mais que gritasse ninguém me ouvia.
Ninguém o fazia porque ninguém o queria fazer.
Porque sabiam que por mais que me espezinhassem sempre caíssem eu estava la para os apanhar.
E tu és assim. Vês o que queres e nunca ouves.
Porque sabes que mesmo odiando te, seja por obrigação, por habituação ou por simples ingenuidade, estarei sempre la.


uma especie de melancolia,
uma escuridao onde vejo claramente,
um grande espaço vazio que me sufoca,
uma psicose quase viciante,
o vicio da tristeza cronica.
tristeza minha,
molhada,
salgada,
e sempre alimentada,
por mim,
apenas por mim,
desperdicio de tempo e espaço,
mas extremamente vital.