9 de junho de 2011

Eu sou pedaços de papel neste dia de lua a meia haste,
Só pedaços de papel, só sobras do que levaste,
Só vale de riacho seco de quem já não sente o mundo.
Já só sou sede de aguardente num cálice sem fundo.

Grito, e o eco do meu grito só a mim retorna.
Não chega além, não ganha forma.
Pensas que não sinto o cuco a dar as badaladas do fim?
Pensas que não te ouço afastar de mim?

Mas nada me fará deixar te ir!
Nem mil quedas no fosso,  
Nem mil fantasmas de fingir,
Nem mil cordas ao pescoço!

Nem a morte nem os mortos,
Nem a noite em alvorada.
Eu não me rendo em águas de tristes,
Não me rendo por nada.

13 de maio de 2011

O tempo passou e a vivacidade de outrora ausentou-se.
Cavas-me o corpo à procura de humanidade,
deserto árido de chapa e farpa é o que achas.
Nem gota de calor, nem milha de sentimento,
ou plástico em ternura, ou carinho de máscara escura.
Chamas.. só se ouve o vento.
E porque procuras tanto o que sabes não ir encontrar,
em tal espaço de vasto manto indeciso na cor a tomar.
Não procures brilho de estrelas em olhos secos e fixos na eternidade,
não haverá beleza que reste, é tarde.
Respiro e tu respiras-me de seguida
com intenção de me agarrar,
mas eu já estou perdida, selvagem como a passagem do tempo
tão difícil para ti de aceitar.
Vês prova de existência nas palavras contidas na boca a cera pálida selada,
na qual não mais me dou como dava, em que já não te dou nada.
Não te sou paixão, já não me és desejo,
já não nos sobra beijo, noite ou madrugada.
Abraço, caricia, bofetada, emoção para transbordar.
Enfim, desistes e segues sem remorso.
Quão volátil é o amor...

21 de abril de 2011

so te quero ao meu lado á noite.

23 de março de 2011

Breathing in empty lungs
Screwing remains of truth
You still the life of living ones
Yo come to show us better
You hide the light
You find the sickness and rothness
and spread it everywhere
You make us useless
Just to pretend to care

1 de fevereiro de 2011

Trabalho de Português: Redigir uma página de um diário de carácter pessoal

22 de Fevereiro de 2011

De repente tudo ficou como que em efeito de Polaroid invertido. Pararam os gritos, os abanões e todo aquele frenesim de confusão auto-suficiente e aparentemente interminável começou a lentamente esbater se no filme, até desaparecer. Bati a porta e saí. Nem sei porque, penso que foi uma impulsiva vontade de fugir daquele antro de loucura e incoerência, sem forma, entendimento ou tamanho, sem porquês ou salvação. Daquele sitio onde ninguém quer entrar e do qual não posso sair, não definitivamente, não por enquanto.

Durante um quarto de hora vagueei pelo quarteirão deserto e mal iluminado, rumando depois às ruas mais movimentadas de gente, gente que corre de um lado para o outro numa ânsia pela vida nem se dar conta que a mesma se perde a cada passo rápido que dão.

A lua encontra-se gorda e alta mesmo por cima das nossas insignificantes formas, e eu, num estado de alienação do que me rodeia e onde me encontro, vou deambulando erraticamente olhando o céu, os prédios, as árvores, os pormenores de milhares de azulejos, beiras de janela e folhas que me passeiam diante os olhos. É silêncio puro que ouço, uma paz imensa que sinto, mesmo encontrando-me num banco de pedra, num dos lados de uma larga rua onde passam ora jovens criaturas, ora veteranos da existência, rindo e falando a alta voz, já meio embriagados pelo espírito desta intensa cidade, ou talvez apenas pelo álcool já ingerido.

Agora que pauso a minha caminhada, e sentindo o frio da dura pedra a trespassar-me a roupa, sinto a mesma angustia que sentira antes de correr daquela porta fora, apoderando-se violenta. O peito encolhe, os pulmões colapsam, as mãos tremem e os olhos enchem-se de lágrimas. Vejo-me em aflição neste descontrolo emocional repentino.

A tristeza faz a sua entrada, poderosa e estonteante.

Levanto-me e precipito-me rua abaixo. Atropelo uma ou outra pessoa, na esperança de que se andar depressa o vento me seque as lágrimas da cara e me acalme a fúria que corre no sangue.

Começa a chover e abrigo-me na entrada de um prédio. Que estou eu a fazer? Que ideia dramaticamente teatral e absurda a minha de andar a vaguear pelas ruas, sem rumo, guardando perdição e desespero nos bolsos.

Limpo a cara com as mãos, limpo as mãos ao casaco, cubro a cabeça com o carapuço e subo rua até ao metro. A noite vai longa, as pessoas são poucas, a viagem é monótona. A banda sonora é composta pelos elementos clássicos: carris a chiar, as pessoas a tossir, som de passos dos que entram e dos que saem, a voz anunciadora da próxima paragem, e um ou outro ruído proveniente de uma qualquer tecnologia.

Saio do metro e passo ante passo dirijo-me a casa. O caminho não é longo, porém parece mais penoso debaixo da agora intensa chuva. Chego, meto a chave á porta e com cautela entro. Todos dormem. Tiro os sapatos, a roupa molhada, passo a cara por água e enfio o roupão. Pego no papel e escrevo este desatinado, porém verídico, relato meu. Arquivarei o papel escrito na capa, arrumarei a capa na terceira prateleira da estante ao lado da janela.

Fecharei as cortinas, irei para a cama.

Não sou triste. Sou só um homem solitário. Apenas um homem…

29 de janeiro de 2011

Trata-se de uma entidade contida, algo apagado, algo que fugiu.
Trata-se de ti refém do corpo.

O espelho mostra um busto de papel mentindo no reflexo.
O espelho mostra-te cru e ressequido dos anos passados e neblosos.

Alguém que já não és tu ou quem quer que tenhas sido.
Alguém que te estranho e te ocupa o papel.

Esperas estar escondido, que seja algo passageiro.
Esperas que alguém te encontre mas na verdade já não existes.

Já não há esperança de retorno.
Já ninguém se lembra de ti.

Bons sonhos.

11 de janeiro de 2011

Tenho vontade de me perder,
só porque sim,
mergulhar...

Já não há nada que me leve. Nenhum segredo que me tente.

Já me levaram.