Eu sou pedaços de papel neste dia de lua a meia haste,
Só pedaços de papel, só sobras do que levaste,
Só vale de riacho seco de quem já não sente o mundo.
Já só sou sede de aguardente num cálice sem fundo.
Grito, e o eco do meu grito só a mim retorna.
Não chega além, não ganha forma.
Pensas que não sinto o cuco a dar as badaladas do fim?
Pensas que não te ouço afastar de mim?
Mas nada me fará deixar te ir!
Nem mil quedas no fosso,
Nem mil fantasmas de fingir,
Nem mil cordas ao pescoço!
Nem a morte nem os mortos,
Nem a noite em alvorada.
Eu não me rendo em águas de tristes,
Não me rendo por nada.
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