Quão previsível será o ser humano? Quão determinado à sua condição biológica e natural? Quão aprisionado à sua natureza de carácter? Será possível um ser mudar, ou tudo o que pode ser considerado como mudança não passa de adaptação a novas realidades e circunstâncias?
Um indivíduo enquanto unidade, como o nome indica, que sobressaia pelo seu carácter exímio ou grotesco, será irremediável? E porque a necessidade das pessoas mudarem? Porque procurar alguém com quem partilhar gostos e ideias? Porque a tentativa de inserção? Porque os sacrifícios pessoais de vontades, quando em confronto com uma nova sociedade ou entidade? Porque a submissão? Não será a adaptação de gostos, de pose, de pensamento, de indumentaria, mesmo quando considerados evolução, uma fuga de nós próprios? Uma admissão de que algo está errado? De que não somos perfeitos? E porque ser perfeito? Porque procurar em alguém certas qualidades, não só no que respeita ao carácter mas também as posses?
O que aconteceu ao “opostos atraem-se”, ou aos valores e integridade? E como é que alguém pode ter uma mente tão distorcida a ponto de materializar a felicidade? O que aconteceu aos momentos, ás sensações, ao sentimento e à sensibilidade? Para onde foram as virtuosas senhoras e os cavalheiros?
Vivemos num mundo inundado de crenças mas vazio de santos. Desgastado e esquecido do valor. Esquecido do sentir, e dos sentidos. Um mundo onde a paisagem é cega e as pessoas são feitas de aço e prata, numa plastificação bonita, aprumada e vazia. Vivemos num mundo onde já poucos sabem viver.
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