16 de agosto de 2010
Não sei se foi do exagero, se realmente comi demais ou se me vacinaram durante o sono, apenas sei que amanhã não terei medo de passar a porta. Não terei de olhar para os dois lados da rua antes de atravessar nem escorregar por uma multidão de pessoas na baixa desta cidade. Não terei de dizer bom dia nos cafés, nem atender telefonemas, nem mandar mensagens, nem nada. Na verdade não terei de falar de todo. Não terei de olhar para alguém senão eu própria reflectida nas montras das lojas e nas poças da rua. Amanhã terei coragem de passar a porta pois todo o resto do Mundo vai ficar em casa. Cansei da vida dos outros constantemente no caminho da minha. Estou zangada, desiludida, revoltada. Com ninguém e com toda a gente. Acho que se trata da simples acumulação de anos em prol de tudo menos de mim. Sinto-me traída, tão traída. Como se o vento me espetasse facas nas costa enquanto deixo a colina. Finalmente no topo da mais bela ponte de algum ou outro, admiro as rochas que seguram esta cidade. Não se ouve um ruído, ninguém pôs um pé fora de casa.
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