9 de julho de 2010

às vezes dá me na cabeça e pronto

Ele caminhava sozinho, sempre pelo mesmo caminho, até aquela casa além.
Sempre de olhar perdido, procurando algo, ou procurando alguém, sem saber porquê ou o quê, sem saber muito bem quem, sempre caminhando lentamente até aquela casa além.
Ele chegava àquela casa, pequena casa de jardim e horta, onde o esperava a mulher à porta, que repetindo o diário acto, que lhe servia quente o prato, que ele comia sempre com o mesmo talher, sentado em frente à mulher.
Á noite ao deitar, deitado do lado direito, sem nunca a tocar, beijava-lhe a testa com respeito, e voltava-se a deitar, de costas para ela, soprando a luz da vela, tentando descansar.
De madrugada madrugadora, levantava-se a senhora, pé ante pé para não acordar, o seu senhor que ainda se encontrava a descansar.
Fornada de pão quentinho, leitinho fresquinho, e o tradicional café, tudo pronto e arranjadinho, para quando o senhor se puser a pé.

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