- Amo-te…
Ele bate-me e no dia seguinte diz-me…:
- Amo-te…
Ele bate-me e diz-me no momento, olhando para mim de olhos vermelhos e cara arranhada, braços lacerados, sangrando do nariz e toda marcada:
- Amo-te…
Eu lutei como pude. Eu tinha de o fazer. Tinha de me defender... e de descobrir.
Mas eu não queria. Ou talvez quisesse. Só sei que não me pude controlar o movimento.
Não pude parar. Não consegui parar. Não quis parar.
Após o deitar ao chão agarrei a faca que a há momentos caíra das suas mãos e espetei-a no exacto centro do seu peito.
Ele olhou-me surpreso. Nem liguei, já não lhe via os olhos.
Facada após facada, loucas e aleatórias, formava ranhuras, começava a abri-lo, a rasgar-lhe as entranhas. A cada golpe, ele ficava mais exposto, a cada golpe, ficava mais ávida de o golpear.
Uma poça de sangue, do seu sangue, sujava-me ainda mais o vestido já manchado com o meu sangue.
Tinha os olhos inchados de chorar, mas já não chorava.
Mantinha me de olhos bem abertos, num total fascínio a abrir aquela besta imunda que há momentos me quisera abrir a mim.
- Amo-te - disse ele.
Cansada comecei a esburacar pela cavidade torácica onde encontrei o tão prometido órgão.
Arranquei-o com a mão e atirei-o para o lado.
- Amo-te…
- Sim? Eu também…esta noite sirvo-te com vinagre.
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