4 de novembro de 2009

a patir de agora acabaram se as palavras,
abandono-as
cansam me e estou farta.

acabaram se os esforços,
e os sorrisos forçados,
e ate os sorrisos espontâneos,
sorrir é fútil e desnecessário,

acabaram se os pensamentos,
e as ideias,
as criticas,
os vestidos bonitos e os laços no cabelo,
acabou o espelho e a escova,
não vale a pena,
não o faço por mim própria,
já não o faço para ninguém
acabou se a vaidade e preocupação,

corto o cabelo, rasgo as sedas e visto um casaco que me cobre a cara,
estou fraca, cansada e farta de coisas sem sentido,
rotinas tolas,
suicídios psicológicos sucessivos,
desejos que algo acabe finalmente,

vou apagar,
largar me nos braços de quem me queira bem,
ou no mundo mesmo que me queira mal,
ou na merda do cigarro do gajo do lado,
vou abraçar a desgraça e bonança que cair ao calhas sobre mim,

palavras,
uso-as ,
devoro as
drogo me e perco me com elas,
são a minha ligação ao que me faz chorar,
e juro e prometo nega-las,
mas são a minha única companhia,
a única coisa que me motiva a manter os pés no chão,
a tirar a corda do pescoço,
como é triste a apatia dos dias,
como é doce o silencio da doença.

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