1 de novembro de 2009

Dou por mim sufocada em papel.
Sei que me posso me libertar
mas no entanto não quero.
Não me mexo.
Tenho medo de rasgar o papel me sufoca
e não tarda me cortará a garganta.

Rasga o papel por mim...
mesmo que não o vejas,
mesmo que penses que não exista,
rasga-o, parti-o, amassa-o,
destroi o papel que me sufoca...

Ou não o rasgues,
deixa o terminar o teu papel,
o papel que a tua cobardia não ousa representar.

Não o rasgues,
afinal ele está a fazer o teu papel.
O papel a que foges,
O papel que não existe
e acaba por não ser papel,
e também por não me estar a sufocar,
é apenas uma ilusão,
uma ideia perdida,
que me ousei a criar.
Não o rasgues então
pois tal como o papel
tu não existes.

Portanto não corras nem fingas,
não te tentes matar.
Não sejas falso a esse ponto.
Limita te apenas à insignificância de não existires,
e de nunca vires a existir,
pois não sabes como fazê-lo,
não és como eu,
és cego,
és tolo,
estás vivo.

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