Uma estranha brisa pairava no ar, suspenso… o silêncio, esperava na quietude da noite, quando tudo pode acontecer.
Eu suspirava a um canto por alguém, que sabia que não iria ali estar.
Eu suspirava a um canto, sempre na absurda esperança… mas ele não aparecia. Eu esperava como o silêncio, embalada pela brisa, sabendo que esperava em vão. Mas eu esperava. Esperava sempre. Se cessar. Sem cansar. Na ilusão de que se fosse embora o poderia perder. Mas, tola, esquecia-me que perdido já ele estava. Perdido de mim. Para sempre. A uma distância incalculável. Todos os dias eu sofria. Todos os dias eu o lembrava. Todos os dias eu fazia aquela correria louca até aquela esquina onde o esperava rever. Aquela esquina tinha sido, em tempos, o local de frequente passagem do homem da minha vida. A partir de nós… deixara de o ser. Desde que algo surgira e errara logo ele fugiu, desapareceu, da minha vista, dos meus ouvidos, de mim. Mas... esqueceu-se, na sua tão forçada dança de fuga, que nunca poderia fugir realmente de mim… do meu peito, do meu coração, da minha alma, do meu espírito. Sim... ele não fugira! Ele escondera-se dentro de mim para reaparecer momentaneamente ao longo dos tempos, torturando me para além do limite. O meu sangue corria nas veias a custo tão, que a minha respiração forte, mas quase nula, era uma tarefa difícil de executar. Tudo isto, porque ele fugira sem aviso. E tudo isto, porque eu todos os dias sofria. Todos os dias o lembrava. E todos os dias eu fazia aquela correria louca até aquela esquina onde o esperava rever. Rever, não para o recuperar, mas, sim, para me despedir…
23 de março de 2009
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